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Iniciou do tour está marcado para hoje na Austrália

By João Carvalho | 14 de março de 2017 | principal

Os melhores surfistas do mundo já estavam prontos para competir na terça-feira, mas as condições do mar não eram favoráveis para a abertura do World Surf League Championship Tour 2017 na Austrália. Continuar lendo

Brasileiros são premiados em noite de gala da WSL

Texto de João Carvalho

Três brasileiros foram premiados no WSL Awards Honor World´s Best Surfers, na noite de gala dos melhores surfistas do mundo que celebra as conquistas da temporada 2016 e inaugura oficialmente o World Surf League Championship Tour 2017 na Austrália. O carioca Phil Rajzman recebeu seu segundo troféu de campeão mundial de Longboard, Caio Ibelli ganhou o do “Rookie of the Year” de melhor estreante entre os top-34 do CT e o também paulista Filipe Toledo levou o caneco do “Move of the Year” de melhor manobra do ano.

Caio Ibelli (Foto: Daniel - WSL)
Caio Ibelli (Foto: Daniel – WSL)

Toda a “seleção brasileira” do CT compareceu na festa e Adriano de Souza foi chamado para entregar o troféu que ele conquistou em 2015, para o novo campeão mundial John John Florence. Tyler Wright também venceu seu primeiro título em 2016, assim como outros cinco campeões, os também australianos Ethan Ewing e Macy Callaghan na categoria Junior Sub-18, a norte-americana Tory Gilkerson no Longboard feminino e o sul-africano Grant Baker e a havaiana Paige Alms no WSL Big Wave Tour. As melhores performances do ano nas etapas do CT também foram premiadas:

Premiados da temporada 2016 da World Surf League:

Campeões mundiais: John John Florence (HAV) e Tyler Wright (AUS)

Vice-campeões mundiais: Jordy Smith (AFR) e Courtney Conlogue (EUA)

Estreantes do Ano no CT: Caio Ibelli (BRA) e Keely Andrew (AUS)

Mais subiram no ranking: Matt Wilkinson (AUS) e Tatiana Weston-Webb (HAV)

Melhor bateria do Ano: John John Florence (HAV) x Taj Burrow (AUS) em Fiji e Courtney Conlogue (EUA) x Sally Fitzgibbons (AUS) em Bells Beach

Melhor manobra do Ano: Filipe Toledo (BRA) e Johanne Defay (FRA)

Melhor onda do Ano: Kelly Slater (EUA) e Carissa Moore (HAV)

Campeões do WSL Big Wave Tour: Grant Baker (AFR) e Paige Alms (HAV)

Campeões mundiais de Longboard: Phil Rajzman (BRA) e Tory Gilkerson (EUA)

Campeões da categoria Junior Sub-18: Ethan Ewing (AUS) e Macy Callaghan (AUS)

Adriano de Souza entregando o troféus para John John Florence (Foto: Daniel - WSL)
Adriano de Souza entregando o troféus para John John Florence (Foto: Daniel – WSL)

“Eu só quero dizer que é realmente surreal estar aqui em cima hoje”¸ disse John John Florence, ao receber o troféu de campeão mundial de Adriano de Souza. “Isso foi o que sempre sonhei em toda a minha vida e não poderia ter conseguido sem todo o apoio que tive para chegar aqui. Quero agradecer a minha mãe e dedicar esse título para ela. É por causa da minha mãe que estou aqui e obrigado a todos que me apoiaram também. É um momento incrível para mim e boa sorte a todos neste ano”.

O havaiano vai fazer a sua primeira defesa do título no Quiksilver Pro Gold Coast, que abre a temporada 2017 do World Surf League Championship Tour nos dias 14 a 25 de março em Snapper Rocks, na Gold Coast, em Queensland, Austrália, ao vivo pelo www.worldsurfleague.com

SOBRE A WORLD SURF LEAGUE – A World Surf League (WSL), antes denominada Association of Surfing Professionals (ASP), tem como objetivo celebrar o melhor surf do mundo nas melhores ondas do mundo, através das melhores plataformas de audiência. A Liga Mundial de Surf, com sede em Santa Mônica, na Califórnia, atua em todo o globo terrestre, com escritórios regionais na Austrália, África, América do Norte, América do Sul, Havaí, Europa e Japão.

Phil Rajzman (Foto: Kelly Cestari - WSL)
Phil Rajzman (Foto: Kelly Cestari – WSL)

A WSL vem realizando os melhores campeonatos do mundo desde 1976, promovendo os eventos que definem os campeões mundiais masculino e feminino no Samsung Galaxy Championship Tour, além do Big Wave Tour, Qualifying Series e das categorias Junior e Longboard, bem como o WSL Big Wave Awards. A Liga tem especial atenção para a rica herança do esporte, promovendo a progressão, inovação e desempenho nos mais altos níveis.

Os principais campeonatos de surf do mundo são transmitidos ao vivo pelo www.worldsurfleague.com e pelo aplicativo grátis WSL app. A WSL já possui uma enorme legião de fãs apaixonados em todo o planeta que acompanha as performances dos melhores surfistas do mundo, como Gabriel Medina, John John Florence, Adriano de Souza, Kelly Slater, Stephanie Gilmore, Greg Long, Makua Rothman, Carissa Moore, entre outros, competindo no mais imprevisível e dinâmico campo de jogo entre todos os esportes no mundo, que é o mar.

Para mais informações, visite o WorldSurfLeague.com

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João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

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PRIMEIRA FASE DO QUIKSILVER PRO – Vitória=Terceira Fase / 3.o e 4.o=Segunda Fase:

1.a: Michel Bourez (TAH), Conner Coffin (EUA), Jadson André (BRA)

2.a: Matt Wilkinson (AUS), Stuart Kennedy (AUS), Ian Gouveia (BRA)

3.a: Kolohe Andino (EUA), Kanoa Igarashi (EUA), Jack Freestone (AUS)

4.a: Gabriel Medina (BRA), Wiggolly Dantas (BRA), Ezekiel Lau (HAV)

5.a: Jordy Smith (AFR), Miguel Pupo (BRA), wildcard

6.a: John John Florence (HAV), Connor O´Leary (AUS), wildcard

7.a: Kelly Slater (EUA), Mick Fanning (AUS), Jeremy Flores (FRA)

8.a: Julian Wilson (AUS), Caio Ibelli (BRA), Leonardo Fioravanti (ITA)

9.a: Joel Parkinson (AUS), Italo Ferreira (BRA), Joan Duru (FRA)

10.a: Filipe Toledo (BRA), Adrian Buchan (AUS), Frederico Morais (PRT)

11.a: Adriano de Souza (BRA), Josh Kerr (AUS), Bede Durbidge (AUS)

12.a: Sebastian Zietz (HAV), Owen Wright (AUS), Ethan Ewing (AUS)

PRIMEIRA FASE DO ROXY PRO – Vitória=Terceira Fase / 2.a e 3.a=Segunda Fase:

1.a: Johanne Defay (FRA), Sally Fitzgibbons (AUS), Keely Andrew (AUS)

2.a: Tatiana Weston-Webb (HAV), Sage Erickson (EUA), Bronte Macaulay (AUS)

3.a: Tyler Wright (AUS), Nikki Van Dijk (AUS), wildcard

4.a: Courtney Conlogue (EUA), Silvana Lima (BRA), Pauline Ado (FRA)

5.a: Carissa Moore (HAV), Laura Enever (AUS), Coco Ho (HAV)

6.a: Stephanie Gilmore (AUS), Malia Manuel (HAV), Lakey Peterson (EUA)

Baterias definidas para J-Bay

Depois dos tops da WSL surfarem uma da melhores esquerdas do mundo, em Fiji, chegou a hora de os atletas desembarcarem na lendária onda de J-Bay, na Africa do Sul. O evento que inicia no dia 08 de Julho e começa com o brasileiro Adriano de Souza utilizando a camisa amarela (do líder do rankinh),  já divulgou as baterias iniciais. Confira como ficou o primeiro round:

H1: Taj Burrow (AUS), Matt Wilkinson (AUS), Glenn Hall (IRL);
H2: Julian Wilson (AUS), Sebastian Zietz (HAW), Dusty Payne (HAW);
H3: Owen Wright (AUS), Michel Bourez (PYF), Brett Simpson (USA);
H4: Filipe Toledo (BRA), Miguel Pupo (BRA), CJ Hobgood (USA);
H5: Mick Fanning (AUS), Kai Otton (AUS), Wildcard;
H6: Adriano de Souza (BRA), Adam Melling (AUS), Wildcard;
H7: Josh Kerr (AUS), Wiggolly Dantas (BRA), Adrian Buchan (AUS);
H8: Kelly Slater (USA), Jadson Andre (BRA), Fred Patacchia (HAW);
H9: John John Florence (HAW), Jordy Smith (ZAF), Ricardo Christie (NZL);
H10: Nat Young (USA), Jeremy Flores (FRA), Keanu Asing (HAW);
H11: Italo Ferreira (BRA), Joel Parkinson (AUS), Kolohe Andino (USA);
H12: Bede Durbidge (AUS), Gabriel Medina (BRA), Matt Banting (AUS).

 

WSL faz homenagem a Andy Irons

De passagem por Fiji, a WSL fez uma bela homenagem ao surfista Andy Irons ao lançar um vídeo do atleta surfando as ondas de Cloudbreak e entrevistando os surfistas que competiram com ele ou o tem como ídolo. Os havaianos Keanu Asing, Sebastian Zietz e Dusty Payne, o basco Aritz Aranburu, o francês Jeremy Flores e o australiano Josh Kerr falam de como Andy dominava essa onda.

Assista esse vídeo imperdível de um dos melhores surfistas do mundo, que nos deixou cedo demais:

Foto: WSL.

Slater, O mito teimoso

Texto de: Alexandre Guaraná.

A idade quase sempre traz experiência, sabedoria e tranquilidade. Mas pode trazer também a teimosia, saudosismo e impaciência. Tudo depende de como se encara a vida. Depois de assistir as baterias de Kelly Slater nos Round 4 e 5 do Fiji Pro fiquei com a sensação de que o freak americano parece sofrer das partes negativas do envelhecimento, ao menos em sua vida profissional.

É notório que com a idade, o corpo vai mudando, os músculos murchando e a elasticidade diminuindo. Com Kelly, isso não é tão visível já que seu corpo sempre foi acima da média em relação a nós. Tudo devido a sua disciplina, tanto na alimentação quanto na preparação física. Só que aos 43 anos, a distância entre ele e a nova geração ficou apertada, se ainda existe. Slater tem 54 vitórias no WCT, quase o dobro do segundo da lista, Tom Curren, com 33. Só que não vence um evento desde de dezembro de 2013, quando conquistou o Pipe Masters em cima da John John Florence. São 18 meses de jejum que certamente estão gerando agonia e ansiedade.

Há muitos anos, Kelly tem sido um dos surfistas que mais apostam em inovações nas pranchas de surf. E isso foi um dos fatores que aumentou seu domínio no esporte. Só que nos últimos três anos, vem testando, nos próprios eventos, pranchas largas demais e algumas até esquisitas, coisa que deveria fazer apenas nos treinos. Acabou perdendo pressão em suas manobras, que ficaram bem abaixo do que se espera de um mito. Em Bell´s, mudou. Resolveu voltar a usar o modelo Semipro que All Merrick criou especialmente para ele e que foi um dos motivos de seu último título mundial. Seu surf esteve ótimo. Muita velocidade, fluidez e a conhecida pressão estavam de volta. Perdeu no Round 5 do Rip Curl Pro porque foi ansioso e Gabriel Medina, o adversário, sempre guerreiro, não entregou os pontos numa bateria quase perdida. Slater saiu da água sorrindo, esperou o resultado mas quando ouviu sua derrota, cumprimentou Gabriel por educação e saiu com cara de poucos amigos. Ele sabia que tinha perdido para si.

Kelly Slater não foi seletivo na escolha de ondas contra Italo Ferreira. Foto: WSL/Kirstin

Em Margaret River novamente voou baixo. Tanto no Main Break como nas cracas de The Box. Perdeu para Adriano de Souza como favorito, muito porque o brazuca estava inspiradíssimo e também porque tomou um caldo animal que o deixou zonzo perdendo 10 minutos para retornar ao outside. Coisas de campeonato mas um resultado normal, ainda mais para quem o vem derrotando sistematicamente. No Brasil, outra derrota inesperada para Matt Banting, onde surfou muito mal e veio com a desculpa de que não tinha passado bem na noite anterior. Pode até ser, mas o que pareceu foi que ele definitivamente não estava a vontade nas ondas ruins do Postinho. Banting, um bom surfista, nem se esforçou muito.

Só que o auge de sua recente onda de fracassos foi em Fiji. Já iniciou o evento surfando com uma prancha que parecia uma privada do shaper aussie Greg Webber. O mar tava meio xoxo mas tinham algumas ondas boas. Foi péssimo sendo detonado por Alejo Muniz. Na repescagem, retornou com a Semipro e deu um show com tubos impossíveis completados. No Round 3 continuou com sua rotina e aplicou uma kombi em Fred Patacchia, sempre perigoso nos tubos. Foi aí que a teimosia começou a imperar, contribuindo para a perda de confiança, fato que vem assombrando o mito. Contra Julian Wilson e Taj, no Round 4 onde ninguém é eliminado, assistiu de camarote o que a nova geração pode fazer em seu reduto. Com Julian entubando e manobrando como mestre e Taj visivelmente mais a vontade nas morras de 8 a 10 pés, Slater não achou a resposta para virar o resultado. A derrota “humilhante” por 19,43 a 14,34 para Wilson o tirou do sério. Ao sair da água, perguntou para seu ex-técnico o motivo do sacode e pareceu não gostar muito do que ouviu e talvez discordando, resolveu seguir sua tática. Não deu certo. A prova foi outra derrota, na fase seguinte, eliminatória, para o potiguar Ítalo Ferreira na pior bateria do Round 5, onde a maior nota de confronto foi um 5,5 do brasileiro. Tudo bem, o mar estava difícil porém uma bateria antes Jeremy Flores deu show e uma depois Taj Burrow não teve problemas para superar Dane Reynolds, ambos com atuações pra lá de decentes.

Era esperado que o novato Ítalo não fizesse grande coisa (no dia seguinte, com as condições clean, porém ainda grande, Ferreira fez uma excelente bateria contra Julian Wilson). O brasileiro não tem praticamente nenhuma experiência em condições daquelas mas foi muito inteligente, escolhendo ondas mais lisas, fazendo o feijão com arroz e não se sentindo pressionado pela reputação de seu oponente no pico. O freak, ao contrário, surfou com uma prancha pequena demais, basicamente não escolheu onda alguma e tentou entubar em praticamente tudo que apareceu. A forma descontrolada e grommet com que Kelly competiu foi uma repetição de erros impensáveis e improváveis. Perder para Michel Bourez em 2014 nas ondas de 4 pés de Cloudbreak não foi tão ruim, mas ser derrotado em ondas com tubos largos para um surfista sem a menor experiência ficou mal. Para mim, estes erros só podem ser explicados pelo medo de perder para Ítalo. Achei que ele foi teimoso e quis talvez detonar o brasileiro, que o havia vencido em março na Gold Coast australiana. Sinceramente senti que faltou humildade para o careca. Se tivesse feito o “seu” feijão com arroz, teria vencido até com facilidade. Slater é um surfista que se sente confiante demais, mas precisa começar uma bateria com notas altas. Quando isso acontece, vence 95% das vezes. Quando tem que correr atrás do prejuízo, já não tem o mesmo gás. E mesmo com 35 minutos para achar duas ondas que somassem 10,98 (a média de Ferreira foi 10,97 – 5,5 e 5,47), o máximo que conseguiu foi 4,17 e 3,17. Ele explicou depois que se posicionou mal. Bem, isso não explica o resto das vaciladas.

Kelly conquistou seu último título mundial em 2011, vencendo em Teahupoo gigante com facilidade e na manha em Snapper e Trestles, quando teve que usar sua enorme capacidade competitiva para vencer Taj e Owen Wright respectivamente em ondas pequenas e médias. Ou seja, venceu onde sempre é favorito e também em situações em que teve que se reinventar. E mesmo com todos estes problemas que citei acima, ainda disputou palmo a palmo o caneco com Parko, Fanning e Medina. Isso não está acontecendo mais. Muita gente o está aposentando. Creio que estas derrotas apenas o estão deixando mais irritado e frustrado. Esta obsessão em ser novamente campeão mundial, acho que para terminar seu ciclo com chave de ouro, é o que está lhe atrapalhando. É horrível ver a decadência tão de perto, sem poder fazer nada para impedi-la. Isso é o curso natural de todos os seres vivos. Saber levar na esportiva e curtir os últimos momentos ajudam a relaxar. Slater passou uma carreira achando motivos para vencer. Seu espírito competitivo supriu seus defeitos e angústias. Mas está chegando a hora, talvez não de desistir, mas de aproveitar. Curtir a molecada, seus rivais e os holofotes. Pois quando chegar a hora, ele poderá olhar pra trás e pensar: “Cara, como foi bom isso!”. Sem arrependimentos, apenas a sensação do dever cumprido, como pessoa e mito do esporte.

As melhores performaces de Kelly Slater tem sido com a prancha Semi Pro. Foto: WSL/ Kirstin

 

“Para eu vencer, só preciso de tempo” diz Kelly Slater

Em meio a críticas, o mito do esporte mundial postou em seu Instagram a seguinte frase: “Para eu vencer, só preciso de tempo”. O americano, assim como o brasileiro e atual campeão mundial Gabriel Medina, ainda não venceu nenhuma etapa da WSL esse ano. Falta de sorte ou o careca tem caído de rendimento? E o brasileiro, está mal assessorado? É muita entrevista e pouco treino? Ou falta de sorte também? Semana que vem inicia a etapa do masculino em Fiji e esperamos que os dois voltem a dar show de surf.

"The box" 📷 : @corey_wilson

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Como a nação brasileira mudará a cara do Surf

Surf está mudando. O Brasil está no caminho de se tornar o novo EUA, se o Rio Pro é um indicador, o surf está procurando uma mudança cultural em popularidade, e, ao mesmo tempo, ele está procurando uma mudança na forma como ele é percebido pelo público não-surfista.

Durante anos, o negócio do surf era (e ainda é, na verdade) dominado por pessoas brancas. Apesar de suas raízes na cultura havaiana, as maiores empresas de surf foram criadas por pessoas brancas. Os melhores surfistas eram, na maioria, brancos. Empresas comercializando para um público branco, em vez de uma audiência surf. Era um enigma estranho: o mercado era em grande parte branco porque as empresas faziam marketing para eles, e o mercado ficou em grande parte branco pela mesma razão. Eles criaram e impuseram o estereótipo do surfista, simplesmente aderindo ao que tinham construído. Mas tudo isso está mudando agora.

Nos últimos anos, o Brazilan Storm (tempestade brasileira) fez do mundo da competição, bem … uma tempestade. Embora tenham havido muitos antes dele, foi Gabriel Medina que abriu as comportas, e o resto do mundo não está nem perto de fazê-las fechar. Este ano, Filipe Toledo tomou as rédeas, e enquanto o ano está longe de terminar, ele está aparentando um claro favorito.

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FOTO: WSL

Até poucos anos atrás, o racismo tinha mais ou menos deixado a arena do surf, tirando umas poucas exceções. Houve o desastre de Otis Carey, onde Nathan Myers escreveu uma linha em uma edição da Australian Surfing Life que foi, ao menos, uma escolha horrível de palavras. No ambiente como o que foi criado pelos meios de comunicação sociais em que, se a oportunidade se apresenta, qualquer indiscrição, não importa o quanto inocente que ela possa ter sido, será julgada à luz mais dura possível, a escolha de palavras é uma coisa muito importante. Mas o racismo no surf como um todo foi bastante limitado aos anos 80.

Isso vem de um tempo muito longínquo. Lá de quando Duke Kahanamoku estava em processo de se tornar o pai do surf moderno, foi para a América numa parada em seu caminho para os Jogos Olímpicos de 1912 na Suécia. Era o início do século, bem antes da América e o resto do mundo começar a perceber o quão ridículo é o racismo. Embora ele estivesse competindo em um cenário mundial, ele foi recusado em hotéis e restaurantes. Então, anos mais tarde, em 1972, e no meio da era do apartheid da África do Sul, Eddie Aikau não foi capaz de se hospedar num hotel em Durban porque a sua pele não era da cor certa. Em seguida, houve o desastre Otis Carey. Nathan Myers escreveu uma linha em uma edição da Australian Surfing Life que foi, se nada mais, uma escolha horrível de palavras que se transformaram em uma guerra racial. Há um milhão de outros exemplos, mas o suficiente para dizer, a conversa do racismo no surfe ainda está muito vivo. E quando Medina começou a sua campanha pelo título mundial no ano passado, o pote começou a ferver.

FOTO: WSL

2014 foi um ano ruim no surfe, ou, dependendo de seu ponto de vista, um ótimo ano. Foi ruim, porque a corrida de Medina para o pódio expôs uma verdade feia sobre o surfe: o racismo corre desenfreado nos fóruns de comentários e nas praias. Ele se transformou em uma mentalidade “nós contra eles”. Mas foi um bom ano porque um brasileiro ganhou um título mundial e a bola começou a rolar para um país cheio de fãs mais fanáticos do que nunca para pôr os pés na praia. Veja a caminhada de John John Florence até a praia na sua bateria no quinto round no Rio Pro. Mesmo em Pipeline, onde John John é um filho legítimo de toda a ilha, nunca houve tamanha tietagem. As lágrimas rolaram pelo rosto das pessoas quando eles esticaram as mãos para tocá-lo. Fãs adoradores gritavam com um fervor quase religioso. Isso nunca aconteceu antes em uma escala tão grande na história do surf. Quando Medina voltou para casa no ano passado como um campeão, ele foi recebido com adoração normalmente guardada para estrelas do rock.

O Brasil, tal como está agora, é o mais nação mais apaixonada pelo surf do planeta. E o surf nunca teve uma chance melhor de romper com suas raízes anarquistas do que agora, e apesar de muitos surfistas, inclusive eu, não querer que o surfe se torne um esporte do tipo FIFA ou CBV, o negócio do surfe competitivo mais que definitivamente quer.

O Brasil é um país que tem a competição entranhada nele. O país vê o surfe de forma diferente do que o resto do mundo. É mais esporte do que arte, mais competição do que passatempo. E para aqueles que comercializam o surfe, está parecendo um ótimo lugar para se investir.

FONTE : The Inertia

Melhores momentos do Oi Rio Pro

Dentre as surpresas da etapa brasileira do tour, tivemos a surpresa da eliminação precoce de todos os atletas que já foram campeões mundiais antes das etapas finais do evento, algumas manobras com alto grau de dificuldade, free surf das estrelas, como se fossem surfistas anônimos e o destaques dos estreantes na WSL como Ítalo Ferreira, que foi até a semi-final.

Rodeo Flip, full rotation pra todo lado e eliminação dos campeões mundiais 

A primeira manobra do vídeo foi um tanto inesperada, afinal de contas, ninguém está acostumado nem como nome dela. Rodeo flip, foi o que John John Florence fez e completou com perfeição. Depois temos os tubos profundos e os aéreos full rotation (rotação completa de 360° no ar), que foram usados e abusados pelos brasileiros Filipe Toledo e Ítalo Ferreira.

Joel Parkinson back flip de jet ski

A cena mais bizarra, engraçada e ao mesmo tempo preocupante, foi quando o australiano Joel Parkinson montou no Jet Ski para ser levado novamente para o out side (sessão que fica um pouco atrás onde as ondas quebram) e o condutor da moto náutica bateu contra a onda de lado, fazendo Joel voar de cabeça para baixo. Talvez a primeira vaca de jet em uma etapa da WSL:

John John e Kelly Slater no free surf

Já imaginou se um dia você está surfando tranquilamente no seu quintal de casa e se depara com nada menos que o 11x campeão mundial e lenda viva do esporte surfando ao seu lado! Ou então o moleque havaiano que já mostrou ao mundo do que é capaz John John Florence. Pois é, eles foram até o Postinho, na Barra da Tijuca, para treinar no dia que a WSL adiou o evento. O público não acreditou:

Filipinho inspirado e público record

Filipe Toledo já é uma estrela do surf mundial por conta de seu surf progressivo e aéreo, o que ele nem ninguém estavam esperando é que a Barra da Tijuca iria se tornar um Maracanã do surf. Com direito a grito de é campeão, torcida organizada até invasão de área restrita, o que causou grande confusão quando o campeão da etapa saiu do mar. Histerias a parte, demos um show em tudo e o Brasil fortalecido com a liderança do ranking com Adriano de Souza e logo atrás vem Filipinho em segundo.

Foto: WSL/Salem

WSL desembarca em Fiji, confira as baterias da primeira fase

Evento: Fiji Pro

Mulheres: 31 de maio-5 junho

Homens: 7-19 de junho

Local: Ilha de Tavarua em Fiji

Fiji é um lugar incrível para surfar, pescar e até mesmo fazer expedições de mergulho. A ilha de Tavarua é um pouco difícil de chegar, mas o lugar é perfeito para fazer campeonatos. A ilha tem formato de coração, com ondas incríveis e um clima super agradável. Fiji já está acostumada a receber eventos de grande porte da Liga Mundial de Surf. O 11x campeão mundial, Kelly Slater, é um exemplo para todos os surfistas, foi ele que obteve mais vitorias em Fiji e é um dos favoritos ao lado do brasileiro atual campeão do mundo e desta etapa, Gabriel Medina.

Gabriel Medina, campeão mundial e atual campeão desta etapa, tenta se recuperar de uma campanha ruim no tour desse ano. Foto: Reprodução/Instagram

Gabriel Medina, campeão mundial e atual campeão desta etapa, tenta se recuperar de uma campanha ruim no tour desse ano. Foto: Reprodução/Instagram

Um grande e bonito histórico de campeonatos nesse local. E nesse próximo desafio da Liga as ondas prometem estar de 6 até 8 pés. Vai ser ótimo para os surfistas mostrarem suas habilidades em ondas pesadas. Os olhos vão estar voltados para a sensação do ano, Filipe Toledo. Filipinho, como é chamada pelos amigos, vem dando show e já está na vice-liderança da competição, porém, até o momento não tivemos uma etapa em ondas grandes e tubulares. Vamos torcer para que ele mostre que tem potencial e técnica também para as ondas grandes.

Quem você acha que vai ser o campeão da desta etapa? No detalhe os melhores momentos da etapa do ano passado, vencido por Gabriel Medina:

Confira as baterias da primeira fase do Fiji Pro Tavarua:

1. Taj Burrow (AUS), Miguel Pupo (BRA), Glenn Hall (IRL);
2. Josh Kerr (AUS), Sebastian Zietz (HAW), Dusty Payne (HAW);
3. John John Florence (HAW), Jeremy Flores (FRA), Brett Simpson (USA);
4. Filipe Toledo (BRA), Kolohe Andino (USA), CJ Hobgood (USA);
5.  Mick Fanning (AUS), Matt Banting (AUS), Wildcard;
6.  Adriano de Souza (BRA), Wiggolly Dantas (BRA), Wildcard;
7.  Kelly Slater (USA), Jadson Andre (BRA), Adam Melling (AUS);
8.  Gabriel Medina (BRA), Matt Wilkinson (AUS), Keanu Asing (HAW);
9. Owen Wright (AUS), Italo Ferreira (BRA), Freddy Patacchia (HAW);
10. Nat Young (USA), Michel Bourez (PYF), Kai Otton (AUS);
11. Julian Wilson (AUS), Joel Parkinson (AUS), Ricardo Christie (NZL);
12. Jordy Smith (ZAF), Bede Durbidge (AUS), Adrian Buchan (AUS).

Benefícios com a parceria da Samsumg e WSL

Você já deve ter notado que nos campeonatos a Samsung Eletronics está em diversas partes. Em banners, roupas, pranchas e etc. Pois é, a Samsung fechou um grande contrato com a WSL e promete ser uma longa e boa parceria.

Samsung ainda promete inovar nas tecnologias voltadas para o surf. Um aplicativo móvel e resistente a água vai ajudar muito os surfistas. A Samsung também pretende envolver os atletas da WSL em projetos sociais espalhados pelo mundo, Gabriel Medina já até fez parte de um desses projetos.

dhdsurf

dhdsurf.com

Veja que a Rip Curl e Samsung são os patrocinadores que mais se destacam.

Vamos torcer para que essa parceira seja ótima e renda muito para o surf mundial.